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ACV
No âmbito do Projecto ECOCOMBUSTÍVEL, foi elaborado um estudo ao Sistema da Tratolixo, com o objectivo de avaliar e optimizar o seu desempenho ambiental dando um contributo científico relativamente à questão da produção e uso do CDR em Portugal, nomeadamente no contexto do aproveitamento dos refugos resultantes do tratamento de resíduos urbanos.
Neste estudo, aplicou-se a metodologia de ACV (Análise de Ciclo de Vida ), sendo que esta metodologia é a principal ferramenta actual para a avaliação de impacte ambiental de produtos e serviços transformando os consumos e as emissões contabilizadas em indicadores de impactes ambientais.
Este estudo compreende duas tarefas:
1 - ACV do sistema integrado de RSU da Tratolixo;
2 - ACV da produção/utilização de CDR;
Para além de fazer parte das tarefas definidas no Projecto, este estudo é inovador em Portugal, colocando a Tratolixo na vanguarda do desenvolvimento sustentável, permitindo analisar os vários impactes ambientais associados à gestão de resíduos de forma detalhada.
Fig. 1 - As várias fases de uma ACV
O primeiro estudo, considerando como referência o ano de 2008, analisa 3 cenários que se comparam com o Cenário base (actual):
Cenário 1 - Sem Tratamento Biológico;
Cenário 2 - Sem Recolha Selectiva;
Cenário 3 - Com Composição de Resíduos Alterada (maior teor de orgânicos);
Figura 2 - Esquema de funcionamento da TRATOLIXO
Através da ACV, é possível contabilizar os impactes ambientais directos e indirectos associados às operações de gestão de resíduos. É igualmente possível, contabilizar os impactes que não têm efeito imediato no ambiente, mas que provocam impactes em períodos de tempo elevados, como seja, o aterro de resíduos urbanos. Como tal, passamos a realçar as principais conclusões deste estudo:
O Sistema Tratolixo é responsável por evitar impactes ao nível do Aquecimento Global (cerca de 14 kg de CO2 equivalentes por ano e habitante evitados) e pela Acidificação (cerca de 0,13 kg de NO3 equivalentes por ano e habitante evitados), através do encaminhamento de algumas fracções para reciclagem, do aproveitamento do biogás do aterro e através da produção de energia eléctrica que é vendida à rede nacional e que, em ambos os casos, evita o consumo de recursos primários.
Os processos relativos aos Destinos finais, das fracções resultantes dos processos de tratamento, são os que mais contribuem para os impactes ambientais originados pelo Sistema, provocando danos ao nível da toxicidade da água e do solo, contaminação de aquíferos e destruição da camada de ozono. Estes impactes, são maioritariamente originados pela deposição em aterro de grandes fracções, tais como os resíduos indiferenciados e os resíduos de limpeza.
O impacte ambiental do Transporte de fracções para destino final é muito reduzido face ao impacte da Recolha, Tratamento e Destinos finais.
A fase da Recolha origina um impacte ambiental reduzido face à soma de todas as outras fases.
O impacte ambiental adicional originado pela Recolha selectiva é compensado pela reciclagem das fracções triadas. O Sistema sem recolha selectiva teria um desempenho ambiental significativamente menor para a maior parte das categorias de impacte ambiental.
A fase de Tratamento dos resíduos urbanos provoca impactes ambientais pouco significativos, sendo a unidade de Tratamento Mecânico e Biológico o processo com maior relevância ambiental, devido ao consumo de energia eléctrica e libertação de substâncias acidificantes para a atmosfera. No entanto, conclui-se que o sistema em funcionamento, sem esta unidade, teria um pior desempenho ambiental, agravado pelo envio para aterro de fracções que poderiam ser recicladas.
Gráfico 1 - Impactes ambientais da Tratolixo
Tabela 1 - Categorias e valores dos impactes ambientais
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