A TRATOLIXO vem conseguindo, ano após ano, consolidar os indices referentes à reciclagem de resíduos sólidos urbanos.
Tomando como referência 2003, o ano de lançamento do primeiro Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra (PERECMOS 2003), são números que falam por si: no Papel e Cartão passou-se de menos de 11 mil toneladas em 2003 para as mais de 27 mil em 2011 (quase triplicou); nos Plásticos, Metais e Embalagens de Cartão para Alimentos Líquidos, de pouco mais de 2 mil toneladas para mais de 7,5 mil (quase quadruplicou); no Vidro, mais que triplicou (6,7 mil toneladas em 2003; 22,4 mil em 2011); nos Resíduos Orgânicos, de 550 toneladas em 2005 (primeiro ano de que há registo) para quase 23 mil em 2011 (ou seja, 43 vezes mais!).
Conseguir melhorias em condições adversas
São progressos notáveis, que saltam à vista e que realçam a qualidade do trabalho que vem sendo desempenhado pela empresa, bem como a justeza do rumo encetado por esta Administração imediatamente após ter tomado posse.
E o caminho não tem sido livre de obstáculos – antes pelo contrário.
Logo que entrou em funções, em Abril de 2007, esta Administração confrontou-se com situações de alguma complexidade estrutural face ao atraso na decisão relativamente à realização de investimentos que se perspectivavam menos adequados. Entre estes investimentos encontrava-se o projecto da nova Central de Triagem, sobredimensionado relativamente aos valores estimados das recolhas selectivas, já que se baseava em pressupostos errados, projectando uma instalação que não teria matéria-prima suficiente para funcionar. Por isso o Conselho de Administração decidiu suspender a empreitada da Estação de Triagem e formar um Grupo de Trabalho Multidisciplinar, composto por Directores e Coordenadores da empresa, com o intuito de proceder a uma análise integrada de todos os projectos previstos para o Ecoparque de Trajouce.
Das conclusões do referido Grupo de Trabalho destacam-se a necessidade de revisão das quantidades de resíduos a tratar; a opção pela reanálise do número anual de dias e da duração dos turnos de funcionamento da unidade e a revisão da capacidade das linhas de triagem dos resíduos.
O Grupo propôs a análise da possibilidade de demolição do edifício actual e construção de um novo edifício, com a mesma implantação, fora do âmbito da empreitada da Central de Triagem.
Na sequência da realização de uma reunião com o consórcio ganhador da empreitada - em que foram solicitadas informações relativas à possibilidade de demolição do edifício existente e à redução das capacidades das linhas de triagem - o consórcio apresentou uma estimativa preliminar de 7.562.000,00€, o que correspondia a um aumento de 22,4% relativamente ao contrato assinado apenas alguns meses antes, a 22 de Março de 2007… O prazo de execução da empreitada foi também aumentado, de 7,5 meses para 12 meses.
Uma visão alargada e estratégica de gestão
Dado o completo absurdo da proposta apresentada, o Conselho de Administração da TRATOLIXO deliberou, a 14 de Fevereiro de 2008, a anulação do concurso e a rescisão do contrato assinado com o consórcio Hagen/Sitel/Masias.
Em meados de 2008, excedida a capacidade da Central de Triagem de Embalagens de Trajouce, a TRATOLIXO solicitou uma proposta à Valorsul para o tratamento dos resíduos de embalagens de plástico, metal e ECAL provenientes dos ecopontos da sua área de intervenção.
Foi uma medida tomada numa óptica de racionalidade ambiental e económica (e que respeita a política definida no PERSU II, no que concerne à promoção de sinergias e economias de escala a par de uma maior eficácia e eficiência de gestão de recursos), esta.
A unidade de Triagem da Valorsul tinha visto recentemente alargada a sua capacidade e recebido equipamentos com tecnologia de ponta – e a Valorsul mostrou disponibilidade para a recepção dos resíduos do Sistema AMTRES. Assim, a TRATOLIXO iniciou o envio destes resíduos para o Centro de Triagem de Vale do Forno, em Telheiras, a 1 de Julho de 2008.
Em meados de 2010, a empresa começou a analisar outras alternativas para a prestação deste serviço e, a partir de Agosto, passou a trabalhar também com a Resitejo.
Com esta transferência foi possível um ganho significativo nos quantitativos retomados, fruto das maiores eficiências de triagem obtidas pela Valorsul e pela Resitejo, resultado do aperfeiçoamento de estratégias técnicas e operacionais que permitiram apurar a selecção e classificação dos diversos fluxos de materiais.
O visível crescimento dos volumes tratados – que fica bem patente nos números referidos no início deste texto – está a ser determinante para o cumprimento das metas de reciclagem nacionais, preconizadas na Directiva Comunitária 2004/12/CE de 11 de Fevereiro.
É assim que a Administração da TRATOLIXO trabalha. No respeito pela inteligência sustentável dos sistemas e com uma visão alargada da área de Gestão de Resíduos – no qual tem, aliás, tomado iniciativas e apoiado acções que colocam a empresa na primeira linha entre as empresas do Sector.
A História de uma Evolução
No PERECMOS, aprovado em Março de 2003 pelos 4 Municípios que compõem o Sistema AMTRES, foram estabelecidas projecções de evoluções evoluções das recolhas selectivas multimaterial para o período 2004-2023, conforme se apresenta no quadro seguinte:
Quadro 1 - Previsão da evolução das recolhas selectivas (PERECMOS 2003)

Da análise desta evolução é possível verificar um crescimento significativo dos quantitativos de papel/cartão e de embalagens no período compreendido entre 2004 e 2016, permanecendo, a partir daí, constante até 2023. Nesse período de 12 anos observa-se um aumento da taxa de recolha selectiva de papel/cartão na ordem dos 300% e, no caso das embalagens, de 400%.
Face a esta evolução, e atendendo à baixa capacidade da Central de Triagem existente em Trajouce, a TRATOLIXO iniciou em 2004 o desenvolvimento dos estudos prévios para o lançamento do concurso para a Construção da Nova Central de Triagem de Trajouce. O processo de concurso da empreitada começou em 2005 e só viria a terminar no final do ano de 2006 devido a várias exclusões de concorrentes, reclamações e recursos jurídicos por parte destes.
O concorrente vencedor foi o Consórcio composto pelas empresas Hagen/Sitel/Masias, cujo valor da proposta foi 6.250.230,71€. O contrato da empreitada foi, finalmente, assinado a 22 de Março de 2007.
Mas em Janeiro de 2007 - volvidos 3 anos desde a elaboração do PERECMOS e constatando-se que os objectivos constantes no PERECMOS se distanciavam cada vez mais da realidade da sua área de intervenção - a TRATOLIXO propôs, ao Sr. Secretário de Estado do Ambiente a revisão das metas definidas na ENRRUBDA para a AMTRES. Essa revisão tinha como consequência directa a revisão das próprias evoluções das recolhas selectivas multimaterial, conforme se apresenta no quadro seguinte.
Quadro 2 - Revisão da previsão da evolução das recolhas selectivas (PERECMOS 2007)

Não obstante o carácter recente da revisão do Projecto, em Março de 2007 os municípios - conscientes de que o modelo preconizado se distanciava cada vez mais da realidade e de que era urgente assumir um novo rumo - decidiram modificar o modelo de governação da empresa.
Na sequência desta resolução foi alterada a estrutura de Administração e revistas as competências da TRATOLIXO no Sistema de Gestão de Resíduos. Assim, a TRATOLIXO deixou de ser responsável pela sensibilização, deposição e recolhas selectivas na sua área de intervenção.
Face a estas constatações, às alterações de competências introduzidas na Administração da empresa e, sobretudo, ao desfasamento dos números relativos à recolha selectiva de resíduos orgânicos, a nova administração da TRATOLIXO optou por rever a estratégia da empresa e apresentou à Agência Portuguesa do Ambiente uma proposta para o reajustamento das previsões em matéria de recolhas selectivas multimaterial e de RUB. Proposta que mereceu a aprovação da Tutela.
Quadro 3 - Proposta de reajustamento da previsão da evolução das recolhas selectivas (PERECMOS 2007)

Foi nessa medida que foram introduzidos 5 novos eixos estratégicos, dos quais salientamos a Inovação e Tecnologia e a promoção da Produção de Combustíveis Renováveis. A redefinição operada na Estratégia do Sistema culminou com a apresentação do PERECMOS Revisto, que mereceu a aprovação por unanimidade do accionista AMTRES e dos 4 Presidentes de Câmara Municipal, em sede de Assembleia Intermunicipal realizada em Novembro de 2007.
É notório que o esforço inicialmente requerido aos Municípios seria impossível de atingir, sobretudo atendendo a que nos primeiros anos, desde a implementação do PERECMOS, foi feito um reforço substancial de equipamentos de recolha selectiva, tendo sido atingido um rácio de cobertura inferior a 1 ecoponto por cada 250 habitantes.



Como se pode verificar na tabela abaixo a TRATOLIXO face aos resíduos de embalagem recebidos atingiu em 2011 uma eficiência na ordem dos 66%.
